CRÔNICA: “VÁ NÃO, MEU FILHO, MAÇONARIA É COISA DO DIABO!”

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CRÔNICA: “VÁ NÃO, MEU FILHO, MAÇONARIA É COISA DO DIABO!”

Esse foi o comentário da avó de um amigo meu quando o chamei para fazer parte da Ação Paramaçônica Juvenil-APJ comigo e também conhecer a Maçonaria.

Desde criança, eu sempre tive vontade de ingressar na Maçonaria, afinal, o meu avô (“bobô”, como eu o chamava) era Maçom no mais alto grau, o grau 33! Todo dia à tarde, quando o meu pai ia trabalhar, antes me deixava na companhia do meu avô em seu escritório no centro, um “refúgio” onde ele ficava na maior parte do dia, uma vez que o escritório guardava lembranças das mais variadas situações, desde um pôster de um filme americano do qual meu pai participou, até documentos e fotos da sua antiga loja, a Cine Foto Walmir, mas para mim, que tinha cerca de 5 anos na época, aquilo era mais do que um refúgio, afinal, eu tinha ao alcance das mãos aeromodelos,  equipamentos e um mundo da antiga loja para poder brincar.

Ao chegar ao final da tarde, ele me levava para comer um delicioso cuscuz na padaria e de lá seguíamos para a Maçonaria. Em todos os dias que fiquei lá, pude perceber vários acessórios maçônicos que ele tinha, sejam eles relógios e broches até medalhas e documentos. Isso sempre me provocou uma certa curiosidade, afinal, eu olhava todas aquelas medalhas, cheias de símbolos, que para um garoto como eu era demais, mesmo que não entendesse nada.

Ductor Eduardo Angelus de Almeida do Núcleo Alfa Cotinguiba da Ação Paramaçônica Juvenil da Loja Simbólica Cotinguiba nº235

Além disso, tinha o fato de que toda quarta-feira, depois de fechar o escritório, meu avô vestia seu terno e me levava para a Loja Maçônica Cotinguiba, a loja que ele fazia parte e que pelo amor que nutria por ela, sei que era sua segunda casa. Na época eu não tinha noção do que era a Maçonaria e nem sabia o por que dele frequentemente ir lá (aliás, eu não sabia nem falar o nome da loja direito), o que restringia a minha visita à simplesmente sentar no sofá que ficava logo na entrada e ficar assistindo desenhos animados, junto com meu avô e seus irmãos maçons até o meu pai chegar e me buscar, o que não me impedia, hora e outra, de olhar em volta e contemplar o local, desde o seu piso com ladrilhos hidráulicos de padrão amarelo e vermelho, as imponentes colunas, um tapete vermelho que se estendia da entrada à escada, até as paredes de cor mais clara, que estavam servindo de tela para inúmeros quadros de maçons que  pareciam de suma importância ao meu ver.

O tempo foi passando, e minha curiosidade pela Maçonaria só foi aumentando, fazendo com que eu passasse a pesquisar mais sobre os maçons e seus feitos na história, que não foram poucos, seja iniciando revoluções ou atiçando a independência dos países! Perguntava também ao meu avô e ele sempre dizia: “Meu filho, a Maçonaria só serve para fazer o bem!”. Afinal, dispor do seu tempo para se reunir com outros maçons em volta de uma grande mesa, à fim de debater e procurar soluções para os imbróglios da atualidade me parece ser tão nobre quanto sensato, já que em tempos como os nossos, a conscientização e a ação são os únicos agentes capazes de nos retirar da situação crítica e alarmante da nossa sociedade, e devolver à nossa nação toda a honra, e respeito que um dia já lhe coube.

Acontece que hoje, o que prevalece é a desinformação, fazendo crescer constantemente um preconceito admitido por uma maioria que desconhece aquilo que pré-julga e rejeita a todo custo qualquer evidência baseada na história, confundindo assim Maçonaria com outros movimentos e até mesmo com religião. Enquanto um dos principais pilares da Maçonaria é justamente crer em um único e onipresente Deus criador e admitindo qualquer religião, desde que creia em Deus, este parece ser negado por valores de poder e opressão de uma sociedade ortodoxa e medieval que não acredita que este Deus esteja de acordo com a posição de homens que se reúnem e decidem manter todo o tradicionalismo e simbolismo em suas assembleias.

Acontece que, muitas vezes, essa sociedade mal sabe de onde parte o seu próprio preconceito. Como dito antes, pelo valor de poder e opressão de uma sociedade ortodoxa e medieval, ou seja, da igreja da Idade Média, em que era hábito a perseguição e até mesmo enviar à fogueira todo aquele que testemunhasse contra a antiga igreja materialista e ambiciosa, seja em seus valores religiosos ou  – principalmente! – em sua posição hierárquica sobre a população que vivia em trevas e nem sabia. Qualquer ameaça de luz sobre tal população seria encarada como blasfêmia e colocaria em pauta a credibilidade de quem fala, e de quem nega.

Indo ainda mais longe, é visto que a Maçonaria veio de dentro da própria igreja, à medida que teve como seus fundadores os Cavaleiros do Templo de Salomão, os Cavaleiros Templários. Os templários surgiram como uma investida da igreja sobre o avanço do império árabe que ameaçava sua integridade com a sua expansão. Acontece que, com as investidas, os templários passaram a acumular riquezas, decidindo então formar uma ordem entre eles, para o zelo do seu tesouro e assembleias de como este deveria ser gasto, decidindo então seguir a premissa de tornar elevado o bem social e não individual, indo de encontro à doutrina católica medieval, os transformando então, em pagãos, hereges, e traidores.

Mas, o que realmente me assusta, é ver que tal hipocrisia e mediocridade(!) são mantidas até hoje, em uma era de “informação e globalização”. Os boatos então tornam- se diversificados, desde a acusação de seitas a planos de ordens mundiais. As pessoas ainda não perceberam que os “diabos”, “satanás”, “bodes” e “feitiçarias”, estão dentro delas mesmas, no preconceito arcaico e no pré-julgamento! É como meu Pai sempre diz: “a pior pobreza não é de dinheiro, é a de espírito!”.

Falem o que quiser, a Maçonaria continuará agindo com autonomia e filantropia, e isso, olhar preconceituoso nenhum poderá tirar, o que me dá ainda mais certeza do que quero e quando eu quero.

Não é à toa que hoje, seguindo os passos do meu avô, sou um Ductor da Ação Paramaçônica Juvenil com muito orgulho!!

Ah, falando nisso, você conhece a Ação Paramaçônica Juvenil, e o Núcleo Alfa Cotinguiba?

Não??

Então sente e vamos conversar  mais um pouco…

 

CRÔNICA do Ductor Eduardo Angelus de Almeida do Núcleo Alfa Cotinguiba da Ação Paramaçônica Juvenil da Loja Simbólica Cotinguiba nº235 – Aracaju/Se

By | 2020-11-20T11:22:13+00:00 novembro 20th, 2020|Artigos, Notícias|Comentários desativados em CRÔNICA: “VÁ NÃO, MEU FILHO, MAÇONARIA É COISA DO DIABO!”